Escrito por Marcos, publicado em 12/03/2026
A Equipe da missão Hubble da NASA localizou a galáxia espiral NGC 4388 que é uma residente do aglomerado de galáxias de Virgem. Vista de lado, ela revela aglomerados estelares e berçários de estrelas que ajudam a entender melhor a estrutura do cosmo.
Imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostrando a galáxia NGC 4388. Fonte: ESA/Hubble & NASA, S. Veilleux, J. Wang, J. Greene
Esta imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble exibe a galáxia NGC 4388 integrada a um enorme aglomerado de galáxias, que contém mais de mil membros e é o grande aglomerado de galáxias mais próximo da nossa Via Láctea. Essa imagem revela estruturas cósmicas complexas, como nuvens de gás e poeira em colapso, que dão origem a novas estrelas, além de discos protoplanetários e ventos estelares que moldam o ambiente ao redor.
O hubble capturou esses fenômenos com alta resolução, permitindo estudos detalhados sobre processos fundamentais da evolução galáctica, como a formação de estrelas massivas e a interação entre gás, poeira e radiação. Curiosamente, há fuga de gases da galáxia capturada pela imagem e a explicação provavelmente reside nas vastas extensões de espaço que separam as galáxias no aglomerado de Virgem. Embora esse espaço pareça vazio, ele é preenchido por gás extremamente quente e difuso, conhecido como meio intracluster. À medida que a NGC 4388 se desloca pelo interior do aglomerado, ela atravessa esse ambiente hostil. A pressão exercida pelo gás quente (um fenômeno chamado pressão de arrasto ram pressure) remove o gás do disco da galáxia, que fica para trás enquanto a NGC 4388 continua seu movimento. Esse processo cria longos filamentos gasosos que se estendem pelo espaço intergaláctico.
A origem da energia que faz essa nuvem de gás brilhar, no entanto, ainda não é totalmente compreendida. Pesquisadores acreditam que parte da ionização possa estar relacionada ao núcleo ativo da galáxia. No centro da NGC 4388, um buraco negro supermassivo atrai matéria ao seu redor, formando assim um disco de acreção (processo pelo qual uma estrela ou outro corpo celeste atrai para si moléculas de gases ou de qualquer outro elemento interestelar.) superaquecido que emite radiação intensa. Essa radiação pode ionizar o gás nas regiões mais próximas da galáxia, enquanto ondas de choque — possivelmente geradas pelo próprio movimento da galáxia através do meio intracluster ou por atividade do núcleo galáctico — podem ser responsáveis por energizar e ionizar os filamentos mais distantes.
Fonte: NASA